O Patriarcado nos lixa a tod@s

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O Partido da Terra do Burgo quer parabenizar a todos aqueles movimentos sociais que reagiram diante do abuso manifesto contra a liberdade individual que foi a tentativa de modificação da lei do aborto. Evidentemente, para todas as que nos movimentamos, organizamos protestos e defundimos os problemas que implicaria essa lei, é um trunfo.
Agora, também é certo que, dalgum jeito, é um trunfo um bocado amargo, pois tanto a penalização ou legislação sobre o aborto é uma vulneração da soberania da mulher, uma violação do direito positivo a tomar decissões sobre seu próprio corpo, e uma atitude claramente reacionária. O direito positivo é aquel cujo exercício não vulnera nem restringe os direitos e liberdades de outras pessoas, por tanto, decidir abortar ou decidir parir esse filho, com independência das decissões que tomes depois do nascimento, são atividades que correspondem a um âmbito de soberania da mulher sobre seu corpo e mente, sua intimidade e privacidade, e ao livre exercício da autodeterminação pessoal de cada quem. Nem a sociedade, nem o Estado, nem a Igreja, nem os pios têm de se sentir ofendidos, por enquanto não estão afetados.
Um direito nunca deve ser um privilêgio concedido pelo omnipresente Estado, senão uma faculdade das pessoas, irrenunciável e inviolável.

Os nossos corpos e vidas são nossas, não propriedade dum Estado, dum partido, duma crença moral ou religiosa ou duma sociedade. Mas isto é que as ideologias autoritárias, como são a religião católica e o atual Estado Espanhol “social y democrático de derecho”, organizado sob esta forma tão irónica de “monarquia paralamentária” não conseguem ver, manifestando em regulamentações abussivas o seu totalitarismo e cenificando-a na usurpação da liberdade e da soberania.
Nenhum moralista, de esquerdas ou de direitas, está legitimado para decidir se eu devo ou não ser mãe, se devo parir um filho engendrado, ou em quais casos posso ejercer esse “direito” ao aborto.
Regular sobre estes aspetos indica uma profunda falta de respeito para as outras pessoas, neste caso sobre as mulheres (que surpreesa!!) ,uma nula compreensão de conceitos como a liberdade, a soberania, os direitos e a ética, tudo esmaltado por um patético moralismo, revestido duma falsa religiosidade que, igual do que as camisolas de lã, é um conceito que deve ir sempre por dentro, e nunca por fora. Vejo ótimo que as católicas praticantes e crentes (o primeiro não inclui o segundo) não abortarem disto ir contra os seus preceitos morais, o que já não vejo tão ótimo, nem lógico, nem legitimo sequer, me imporem a mim suas crenças, desde que eu não vou pelas casas a lhes dizer como é que devem pensar, atuar e se relacionarem na sua vida privada. E sejamos sérios, meu sexo, diga o que dizer a cúria católica, é essencialmente privado

Importa é decidir

Importa é decidir.

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O Partido da Terra do Burgo quere parabenizar ao povo de Escócia pelo exercicio de democracia que vem de realizar. Com independência do resultado, e sem entrar a valorar as irregularidades que puideram ser cometidas e terão de ser examinadas e reparadas, entendemos que este foi a  expressão da vontade da maioria da população que exercera seu direito a voto, o facto de poder decidir sobre o seu futuro é mesmo um trunfo, pois a recuperação da soberania para as escocesas passa inevitavelmente por tomar muitas decissões, tantas como lhes afetarem.

Qualquer povo tem de ter direito à sua autodeterminação, o qual tem de significar poder decidir as suas condições de vida sem a interferência de qualquer ente externo à própria comunidade, até alcançar um funcionamento realmente democrático da sua sociedade basado nos princípios de exercício maciço, diário e permanente da sua soberania legítima a través da democracia direta, da autonomia para a tomada de decissões e da implicação dos valores de comunitarismo e cooperação nessa tomada.

O AYE teria sido
uma boa notícia para todas as partidárias da autodeterminação dos povos e quem acreditar que uma população a morar num determinado lugar tem direito a definir não apenas sobre as condições imediatas da sua vida diária mais também quais deveriam ser suas fronteiras em concordância com os povos vizinhos, achegando assim o exercício da soberania mais um bocado a seus legítimos proprietários.

Porém, para quem pensamos que há outra forma de se organizar social e politicamente, fora do Estado, de qualquer Estado, a melhor das notícias possíveis seria a institucionalização duma sociedade realmente livre, capaz de se dirigir a sim própria sem as influências das clássicas estrutras opressoras, mas isto teria de ser também decissão das escocesas.