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Em Elvinha despejaram-nos a todas

Em Elvinha despejaram-nos a todas

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Na passada quinta-feira o Concelho da Corunha acometeu o despejo e derrube da vivenda duma família em Elvinha. O que se fez não foi apenas tirar muros que podem volver a ser erguidos com relativa facilidade, o que se fez foi atacar ao mais sagrado duma pessoa, sua segurança, seu modo de vida, seu fogar. Uma casa é muito mais do que paredes, muito mais do que uma questão material.

Para além deste feito deplorável que já é conhecido por todas e de tudo quanto envolveu ao despejo, há que ter em conta a situação de pressão e repressão que tanto esta primeira família lançada como as demais afetadas pelo processo de expropriação forçosa vem sofrendo desde há muito tempo por parte da Administração Pública.

As expropriações forçosas do núcleo de Elvinha não guardam qualquer relação com o sentido comum, com a lógica nem com o bem-estar da maioria, apenas é a manifestação da especulação mais absurda, onde a Administração se pôs claramente a favor dos interesses privados dos empresários, pondo estes muito por acima dos interesses sociais e coletivos. Sob a falácia do bem comum e da utilidade pública despejam com total impunidade a pessoas dos seus fogares, muitas dessas pessoas não podem fazer frente a um aluguer social nem muito menos a um a preços de mercado, destruímos com total impunidade seu modo de vida, mesmo seu modo de ganha-la. Destruímos, ainda, o espírito dum bairro independente, diferente, que manteve durante décadas a sua singularidade rural dentro do conjunto urbano. Destruímos o futuro destas pessoas e para a construção de mais um exemplo de esperpento especulativo, o Parque Ofimático da Corunha.

A quem vai favorecer esta construção? Qual é o motivo para que numa cidade com mais de 20.000 vivendas vazias se promova a construção de mais delas? E esse Parque Ofimático, foi uma demanda de quem? A ninguém lhe perguntaram, nem às cidadãs da Corunha nem muito menos às próprias afetadas que desde o primeiro momento manifestaram uma forte e ativa resistência ante as expropriações forçosas, e, o que resulta ainda mais dramático, a sua converssão também forçosa em promotores dessa desfeita, dum projeto que nunca, e hoje ainda menos, foi necessário nem demandado. No caso de Elvinha não há qualquer necessidade social, pública e coletiva a satisfazer com este novo ordenamento urbanístico, o que há são interesses económicos dos que apenas se vão lucrar uma minoria, ao tempo que a maioria paga as consequências, situação própria duma sociedade paralizada e duma clase política mafiosa que ainda se pretende democrática.

A história da paróquia de Elvinha será a história do trunfo da impunidade, do absurdo mais absoluto, do caciquismo mais râncido e da cumplicidade coletiva, pois todas deveríamos nos opor a tais excessos políticos e administrativos, desde que o legal não sempre é justo, e deve ser a justiça (a real, não apenas a que o próprio sistema cria para o seu uso, desfrute e beneficio) o que nos mover.

Diante destes feitos, O Partido da Terra do Burgo manifesta com firmeza e claridade o seu posicionamento do lado da família Corral já despejada assim como das outras que estão a aguardar a execução das suas ordens de despejo, e insta à toda a cidadania, por acima de qualquer posicionamento político ou ideológico, a apoiarem de qualquer forma possível tanto às famílias afetadas como aos grupos de ativistas que solidariamente prestam seu tempo e mesmo sua integridade na luta contra a especulação absurda, contra os abusos do poder e contra a injustiça, assim como a pedir explicações destes assuntos municipais mal chamados de políticos. Ou começamos a procurar a via para nos empoderar, para que as decisões como esta sejam resultado de assembleias onde todas podam se manifestar e posicionar, ou os entulhos do fogar de Isabel e Álvaro serão os cimentos duma nova sociedade em ruínas, pois tudo quanto for considerado progresso, construído sem termos em conta as vidas e as necessidades das demáis, não será mais do que um retrocesso muito caro.

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