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Tudo contra a Renda Básica

– A Renda Básica (em diante RB) é unicamente possível num cenário de crescimento económico constante, já que precisa que os estados que a implementem experimentem uma evolução positiva do seu PIB, para poder acumular um volume de capital disposto para repartir entre a cidadania.

– Toda evolução positiva do PIB traduz-se por força, num aumento da demanda energética, pois todo processo de produção de valor precisa de energia para se levar a cabo. Entendamos por energia a capacidade de produzir um trabalho.

– Os processos de produção de valor das nossas sociedades empregam como fonte energética principal os hidrocarbonetos como o petróleo. A RB é, portanto, uma medida crescentista que aprofunda ainda mais no problema ecológico e energético das civilizações tecnoindustriais. Por definição, é uma medida insustentável, e nenhum partido que a faz própria está a pensar nas consequências que acarreta, senão no seu rédito eleitoral. Quantos anos vão ser capazes de manter uma RB no atual marco de escasseza dos recursos naturais?

– A RB é, em essência, uma volta ao paradigma keynesiano, já que se baseia em que a população recupere o seu poder de consumo, mentres continua a se ver privado do controlo dos meios de produção.

– É também keynesiana, e sobretudo, ao constituir uma inferência estatal na economia de mercado sem pôr em risco o seu desenvolvimento. Busca animar de novo a dinâmica produção-consumo-impostos, assegurando o desenvolvimento económico do Estado e por extensão do capitalismo, já que ambas estruturas som indissociáveis.

– A RB é uma reafirmação do poder estatal sobre a população, ao fazer depender o nível económico das famílias da sorte que esse Estado obtiver no cenário da economia mundializada.

– A RB é uma medida anti-ética. É indignante que se apresente como uma medida ética, pois é bem claro que os volumes de capital repartidos entre a população são obtidos por meio de guerras imperialistas, situações de colonização, explorações laborais, extração de petróleo, depredação do meio ambiente…

– A RB não vai aliviar a pobreza, já que a sua implementação provocaria uma inflação dos preços de consumo ao aumentar o poder económico das famílias, polo que a única consequência sobre a pobreza seria elevar o seu umbral, de forma que aquelas pessoas que unicamente cobrem a RB seguirão a ser pobres, da mesma forma que o são as que hoje cobram a Risga.

– As desigualdades sociais não são fruto duma realidade económica adversa para a maior parte da sociedade, senão duma desigualdade política entre as elites governantes e as classes subalternas. Estas elites, por meio de complexos sistemas legais e coactivos, asseguram as diferenças materiais presentes, impedindo o exercício de poder das classes populares nas estruturas organizadas dos estados. Logo o que está em jogo não é a diferença entre as massas monetárias das classes sociais, senão o exercício da soberania, isto é, a distinta influencia política das classes.

– Crer que numa sociedade de consumo hiperalienada como a nossa, a população vai empregar a RB para conquistar fórmulas singulares de autonomia e autogestão é ingénuo como pensar que o Papa de Roma vai desmantelar a Igreja Católica.