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Os biocombustiveis. São combustiveis, mas não são “bio”

Os bio-combustiveis. São combustíveis, mas não são “bio”

As palavras são curiosas. Um ouve “bio” e pensa em qualquer produto ecológico, sostível, sã…

Quando alguém me falou há anos do “biodiesel” pensei isso mesmo “Vaia, um combustível ecológico, que contamina menos, sustentável e se produz com excedentes agrários? Tamanha coisa boa junta não pode ser certa”

Pois é, não pode e não é certa.

Os biocombustíveis, também chamados popularmente biodiesel, se obtém da biomasa ou de substâncias de refugo. Estes substituem só em parte aos combustíveis fóssiles, tendo a avantagem de que não se precisa uma inversão prévia na adaptação dos motores de combustão.

Os biocombustiveis máis usados saõ o etanol (bio) e o biodiesel, que são utilizados  para os motores de nafta (gasolina) e diesel (gasoil).

O etanol se produz diretamente do açucre (cana, beterraba ou milho) mas estes não são limitados e qualquer resíduo vegetal é suscetível de ser transformado em açucre.

O biodiesel obtem-se de azeites ou graxas, de plantas como a soia ou o mirasol, mais outros coma o trigo, a palma, são também suscetíveis de se transformar em cobustível.

Muitos países do “primeiro mundo” estão a promover o desenrolo da produção de biocumbustíveis mediante subsídios ou políticas de apoios aos países onde se produzem os cultivos necessários, entre eles Brazil, Arxentina, Perú, Bolivia e Paraguay, com o fim de diminuir a súa dependência dos combustíveis de origem fóssil.

Que problemas gera isto?

  • Em primeiro lugar, para a produção, armazenagem e transporte de biocombustível require-se uma grande quantidade de insumos (terra, auga e energía), podendo se dar o caso de saldos energéticos negativos (quando a energia utilizada para a produção é maior da energia gerada pelo biocombustível).
  • A diferença de beneficios é muito distinta de falarmos dum país exportador ou dum país importador, já que os beneficios sociais são “exportados” junto com o combustível.
  • A produção de biodiesel está a afetar muito negativamente na produção, disponibilidade e acesso aos alimentos, já que estamos a falar de produtos que constituem a base da alimentação de muitos povos. Dado que os biocombustiveis saõ produzidos de alimentos, ou bem compitem pela terra susceptível de ser usada para a produção destes, os impatos nos mercados saõ enormes,  provocando diretamente o aumento do preço dos cultivos energéticos, e indiretamente o aumento dos preços de outros cultivos, ou de produtos que compitam pelos insumos dos combustíveis energéticos (como a carne).
  • A produção de biocombustível demanda grandes cantidades de água, que pode pôr em perigo a disponibilidade deste bem , ameaçando a saúde e a seguridade alimentaria de muitas pessoas.
  • A enorme demanda de materias primas para a produção de combustível fomenta o arroteamento de bosques para a implantação de cultivos, o que põem em perigo muitos ecosistemas já vulneráveis por sim próprios (o cultivo da soia é uma das principais causas da deforestação amazónica).[i]
  • Muito importante é também a substitução de cultivos tradicionais por cultivos foráneos (casos da palma e da soia) por serem mais rendíveis e estarem subvencionados para a produção energética, o que afeta diretamente aos comsumidores locais, tanto porque influe na base da súa alimentação como por contribuír à perda de diversidade. A instauraçaó de monocultivos está a provocar crises alimentares em muitos lugares da India (pela produção de palma) e Sudamérica (pela soia), já que os camponeses se vem obrigados a renunciar às súas terras nas que cultivavam para autoconsumo e cede-las a grandes produtores, coma no caso de Paraguay, onde os lavradores chegaram a ser desalojados pela força bruta das súas possessões e obrigados a renunciar a elas (expropiação forçoza sem indemnização).
  • Os danos medioambientais saõ enormes, pois ademais do exposto, a maioria destes cultivos saõ transgénicos (modificados geneticamente) e em muitos casos viram inmunes a moitas das enfermidades típicas mas são muito vulneráveis a outras (como no caso da soia, ao nao ser originária destas zonas) o que implica o  uso de miles de produtos químicos (fitosanitarios) para manter a sua produção.

Como vemos, e isto é só uma mostra muito simples, os prejuiços do biodiesel são muito superiores aos seus benefícios. Que se passa, daquela, para que a súa promoção continue em constante avanço? Pois que os prejuizos os sofrem em primeira instância os países produtores, que em súa maioria (por não dizer totalidade) pertencem ao mundo em vias de desenrolo ou subdesenrolado, mentras os benefícios (fictícios, também em parte) recaem no primeiro mundo. De jeito que se chega à máxima de generalizar custos mas individualizar benefícios.

Esta é a grande trampa dos biocombustiveis.


[i] As plantações de soia estão a invadir as selvas tropicais do estado brasileiro de Mato Grosso, a causa do aumento da demanda deste cultivo. Curiosamente a principal empresa produtora de soia no mundo é o Grupo Maggi, cujo propietario Blairo Maggi, foi  governador de Mato Grosso até o 2010,  e receveu apoios políticos e financieiros para a súa explotação.